Não é de hoje que a profissão do artista é extremamente desvalorizada. Seja pelo fato de muitos não aceitarem a arte como forma de trab...

Temos a arte para não morrer da verdade

Não é de hoje que a profissão do artista é extremamente desvalorizada. Seja pelo fato de muitos não aceitarem a arte como forma de trabalho (por não conhecer, ignorar ou até mesmo por não ter acesso a ela - o que é o mais triste - entre outras coisas) ou por acreditarem que a arte é sempre (e apenas) diversão, entretenimento, profissão suplementar. Me diga você que é artista, se já não ouviu a frase: "Ah, mas tu é músico, uhm, que legal... e trabalha com o que?"

COM MÚSICA, PORRA!

Não sou advogado ou médico, muito menos engenheiro. Sou músico. 

Sim, meus amigos. É difícil. É difícil ter de ouvir esse e outros tipos de frases e muitas vezes, no ato do seu trabalho, ser reprimido. Ou até preso ou recolhido, como aconteceu recentemente em Caxias do Sul.
O artista e bailarino Igor Medina realizava uma intervenção, em via pública, quando a sua performance foi "confundida" com um surto psicótico, então a Guarda Municipal e o Samu foram chamados e, mesmo com a explicação de Igor, ele foi recolhido e levado - com uma camisa de força -  pelo Samu. A matéria completa é da GauchaZh e pode ser conferida no nesse link.

Como se não bastasse, no dia seguinte, em um jornal de circulação local (de Caxias do Sul, o qual não consegui identificar), rola a seguinte nota no espaço do leitor:



"Bailarino Detido

Parabéns à guarda municipal e ao Samu.
Aquilo que aquele "maluco" estava fazendo e dizia ser arte, só
um corretivo para ele aprender a se comportar como ser humano.
Esse tipo de arte se combate com prisão, hospício e trabalho.
Vai trabalhar, artista!"



É, é isso mesmo que tu leu: "Vai trabalhar, artista". Como eu dizia antes, além de sermos subversos dentro dessa classe, ainda passamos por atos de humilhação e desvalorização. Triste mesmo!
Eu não sei o que é pior, se a frase "(...) só um corretivo para ele aprender a se comportar como ser humano" ou a de sempre: "Vai trabalhar, artista!".


A situação gerou muita comoção pela classe artística gaúcha que se manifestou totalmente a favor de Igor, compartilhando textos de apoio e mensagens de repúdio a ação da GM e do Samu de Caxias do Sul. 

Depois de ler vários posts no Facebook, como esse do produtor cultural Luciano Balen (que é lá de Caxias), me senti na obrigação de, mesmo que de forma local, fazer alguma coisa pra mudar essa realidade e defender, unir e alavancar a classe artística.

Artistas são reprimidos todo o tempo, no ato do seu trabalho, principalmente artistas de rua. Aqui em Santa Maria, RS, já aconteceu. Aconteceu em São Paulo, SP, aconteceu em Cascavel, PR com o "Palhaço Tico Bonito".



Palhaço Tico Bonito foi preso após fazer "críticas" à PM do Paraná em 2015
Foto:  Reprodução Internet
Na sequência dos dias pretendo falar mais sobre isso, de uma forma mais focada na música. Por enquanto, seguimos lutando contra a truculência do estado e a ignorância de muitos que não nos enxergam como profissional, mas como um adorno de entretenimento, somente.


Uma música que representa muito do que eu falei no texto é essa aqui, da banda Guantanamo Groove, banda aqui de Santa Maria RS, muito responsa e que retrata bem a "SubverCidade do Artista":




E por enquanto isso é tudo, até logo com alguma novidade.

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